Tirando a máscara.Mostrando a alma.

Despir as fantasias e ser exatamente o que se quer, é uma atitude difícil, quase impossível nesse universo de hipocrisias em que se vive, embora seja libertador. Descobrir o que está atrás da máscara alheia é um exercício de percepção e sensibilidade, que temos dificuldade em realizar sem ajuda. Um sensitivo, um tarólogo, um astrólogo, podem ser extremamente úteis numa busca dessa natureza.

O Carnaval, porém, não se limita aos quatro dias de folia: quando menos esperamos, topamos com o nosso “carnaval pessoal”, quando usamos máscaras e fantasias diversas, para atuar no cotidiano.

Quem nunca se fantasiou de nora boa,de amigo sem interesse, de esposa dedicada, de funcionário feliz? Quem nunca exibiu a máscara da felicidade, com o peito dilacerado e a alma sangrando? Quem nunca escondeu o tremor das mãos frente a uma decepção? Quem nunca engoliu as lágrimas ao ser vítima de uma rejeição?

Além destas fantasias pessoais, temos ainda de enfrentar o “carnaval alheio”, as máscaras que muitas vezes se exibem para nós, como aquela da amiga perfeita, que nos toma o marido; ou aquela do colega dedicado, unha e carne conosco, que acaba nomeado para chefe em nosso lugar. Por isso, na vida, também é necessária uma quarta-feira de cinzas, dia de tirar as fantasias, pessoais ou alheias e, com isso, atingir a liberdade.

 Existem pessoas mascaradas em qualquer lugar e todos nós sabemos disso. Mas quando as pessoas mascaradas nos envolvem com suas palavras acolhedoras, gentis e contagiantes não percebemos seu verdadeiro intuito e, sem notar, estamos envolvidos num jogo de situações que não estavam planejadas e, muito menos, desejadas. Sempre acreditamos que estamos imunes a acontecimentos como estes. Isso não é real! E esta dificuldade de visão transparente acaba dificultando construir a armadura necessária que usaríamos para não sermos prejudicados. Certamente as dificuldades servem de alicerce para o amadurecimento, mas se temos conhecimento e certeza da existência de pessoas mascaradas por que nos permitimos tal agressão? Para o amadurecimento? Certamente, não! Deixamos-nos levar por situações, pois na verdade acreditamos sempre que as coisas darão certo. É à força do pensamento, então, que acaba nos prejudicando? Certamente, não! A necessidade do ser humano de aceitação é o grande vilão. E, por muitas vezes, esta necessidade é colocada acima da razão.

Em momento de impulsividade a razão é esquecida e isto dificulta nossa visão real da verdadeira faceta de uma pessoa mascarada, bem como as conseqüências das atitudes tomadas em tais momentos. Percebam que a necessidade de aceitação é tão grande, que mesmo quando outras pessoas tentam nos alertar e, procuram desta forma ajudar para evitar o inevitável, não estamos predispostos a ouvir, a acreditar. Isto acontece na vida do ser humano desde relações amorosas, profissionais, até as familiares. E não permitir-se ouvir o posicionamento de outras pessoas perante uma situação, pela perversa necessidade de aceitação, resultam em sofrimento, raiva e indignação. Sofrimento porque não é fácil aceitar os fatos quando uma pessoa mascarada deixa cair à máscara. Primeiro era a necessidade de aceitação do outro no qual acreditávamos, mas agora e pior, vem a aceitação de si próprio. O que antes não estava claro, agora que está, fica escuro, triste e dolorido. A raiva vem de si próprio, de refletir como foi possível deixar tudo acontecer. Não raiva do outro, do mascarado, pois, na verdade, os mascarados são dignos, apenas, de pena. Por fim, vem a nossa indignação perante o outro. De como uma pessoa pode conseguir ficar em paz e tranqüila usando uma mascara, sempre. Indignação com o ser humano e o quanto ele é cruel quando deseja ser. A crueldade, sendo bem otimista, muitas vezes é até inconsciente, sem reflexão sobre as conseqüências.  A razão por suas atitudes sempre são justificadas, mas nem sempre satisfatória para ambas as partes envolvidas. Mas a maior indignação vem quando a pessoa mascarada, mesmo reconhecendo suas atitudes, mantém atitudes ainda piores, tais como: o silêncio, a falta de diálogo e a falta de satisfação. Mas, ainda pior, é a mentira. Mentir para o mascarado é, certamente, muito fácil, pois o faz com maestria antes, durante e depois de ser descoberto.

            Todos nós ou convivemos ou somos uma pessoa mascarada, mas em certo momento esta mascara irá cair. As pessoas prejudicadas levarão um tempo para se reerguer, mas, quando conseguirem, estarão mais amadurecidas e habilidosas em conviver com esta ardilosa estratégia que o homem possui de esconder-se, pois se mostrar sua verdadeira face ninguém se aproximaria.

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